(SUBSÍDIO TEOLÓGICO) LIÇÃO 09 3T 2017-ADULTO - A NECESSIDADE E A POSSIBILIDADE DE TERMOS UMA VIDA SANTA.




A doutrina da santificação pertence em parte à doutrina de Deus e em parte à doutrina da salvação, a soteriologia; é a santidade como atributo divino e a santidade como elemento constituinte da salvação. Deus é absolutamente santo, sua santidade é infinita e inigualável, Ele é santo em Si mesmo, em sua essência e natureza; no entanto, está escrito: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2).
Essa passagem é citada no Novo Testamento (1 Pe 1.16). Deus exige santidade de seu povo porque Ele é santo. Temos aqui a santidade em Deus e nas pessoas; isso explica a dúbia classificação, apesar de haver enorme e incomparável diferença entre a santidade de Deus e a santidade do ser humano.

SANTIDADE COMO ATRIBUTO DIVINO
         A santidade é uma das perfeições de Deus conhecidas como atributos morais ou transitivos, pois há nos humanos alguma ressonância. Ele é absolutamente santo em natureza e conduta; sua santidade é sui generis e se distingue de tudo o que há no universo, porque lhe é próprio, é uma característica inerente ao seu Ser, absoluta e perfeita. É o atributo mais solenizado nas Escrituras. Sua Pessoa é santa: “o nosso Deus é santo” (Sl 99.9); seu nome é santo: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo” (Is 57.15); sua morada é santa: “Olha desde a tua santa habitação, desde o céu” (Dt 26.15); Cale-se, toda a carne, diante do SENHOR, porque ele despertou na sua santa morada” (Zc 2.13); santo é o seu templo: “Mas o SENHOR está no seu santo templo” (Hc 2.20); sua promessa é santa: “Porque se lembrou da sua santa palavra” (Sl
105.42).
         A conclusão de tudo isso é: “Não há santo como é o SENHOR” (1 Sm 2.2); “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em louvores” (Êx 15.11); “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3); “E os quatro animais tinham, cada um, respectivamente, seis asas e, ao redor e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Ap 4.8); “Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso, todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos” (Ap 15.4). Isso é ensinado ao longo das páginas da Bíblia; não se trata apenas de um dos seus atributos comunicáveis, mas de algo fundamental a tudo o que se refere a Deus. Sua santidade é em majestade e
transcendência; Ele é separado e acima de todos os povos e muito distante de tudo o que é pecaminoso.


DEFININDO OS TERMOS
         A raiz do verbo hebraico qadash e seus termos derivados como substantivo e adjetivo têm um significado amplo, e não é possível descrevê-los por causa da escassez do espaço. Os dicionários e léxicos da língua hebraica ocupam muitas páginas para descrever e explicar esses termos. O significado básico de qadash é “ser santo, ser santificado, santificar, ser posto à parte” (Êx 29.21). O adjetivo qadôsh, “santo”, designa o próprio Deus: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos” (Is 6.3). Isso diz respeito à santidade como pureza ética. O equivalente grego é hágios: “Quem não te temerá, Senhor, e quem não glorificará o teu nome? pois só tu és santo” (Ap 15.4). Deus é santo em si mesmo completamente separado de tudo o que comum e impuro ou pecaminoso: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15). A revelação aqui mostra um Deus transcendente e imanente. Ele é exaltado e elevado das nações e habita na eternidade do tempo e do espaço, e seu nome, natureza e caráter é Santo [qadôsh]. Isso é transcendência. Mas habita também com o contrito e abatido para vivificar o pecador abatido de espírito e contrito de coração. É a graça salvadora de Deus para todas as pessoas (Tt 2.11).
         A etimologia da raiz de qádash é ainda incerta; parece ser uma combinação que indica “queimar no fogo”, uma referência à oferta queimada, ou “brilho, brilhante”, especificamente divino, como no substantivo “santidade”, qodesh: “Quem é semelhante a ti, glorioso em santidade, terrível em louvores, operando maravilhas? (Êx 15.11 – TB), mas a ideia básica é de “separar, retirar do uso comum”. A natureza essencial do substantivo qodesh pertence ao domínio do sagrado; a ideia é de santidade, que distingue daquilo que é comum ou profano: “para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10); “e profanam as minhas coisas santas; entre o santo e o profano não fazem diferença, nem discernem o impuro do puro” (Ez 22.26); “E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o impuro e o puro” (Ez 44.23).
         Mas “qadôsh, que significa santo, era uma palavra cananeia antes de se tornar uma palavra hebraica. Na religião cananeia essa palavra não tinha um sentido ético especial. Os sacerdotes e sacerdotisas eram chamados de qadôsh no sentido de serem devotados a um deus ou deusa, mas não no sentido de pureza ética. Eles, na verdade, eram impuros, como as deidades. A prostituição sagrada fazia parte de suas práticas religiosas” (CULVER, 2012, p. 146). Isso esclarece o uso do termo qadesh e do feminino qedeshâ, “consagrado a/consagrada a”, que se aplicava a homens e mulheres consagrados aos santuários pagãos e se traduz também como “prostituto/prostituta cultual, sodomita, rameira” devido à licenciosidade da adoração aos deuses cananeus. Era o culto à fertilidade. Na cultura pagã, não havia aí conotação moral, nem bom nem mal, apesar de se tratar de uma prática repugnante aos olhos de Deus.
         A palavra qedeshâ e o termo masculino qadesh são traduzidos por “rameira” e “sodomita”, respectivamente: “Não haverá rameira dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel” (Dt 23.17). Dizem respeito à chamada prostituição sagrada” ou “cultual”. Aqui se refere à proibição de os filhos de Israel participarem dos rituais de fertilização prática dedicada a certos deuses dos cananeus (Jz 8.33). A palavra qadesh é também traduzida por “rapazes escandalosos” (1Rs 14.24; 15.12) ou “sodomitas” (TB), ou ainda “prostitutos-cultuais” (ARA) e também por “prostituto sagrado” (NVI).
         O verbo hebraico zanah, “cometer fornicação, praticar prostituição”, designa primariamente um relacionamento sexual fora de uma união formal, uma relação sexual irregular e ilegal entre um homem e uma mulher. O particípio do verbo zanah é zonah, “prostituta, meretriz”, e se refere à mulher que se entrega a tal prática, à mulher que recebe pagamento por favores sexuais (Pv 6.26; Ez 16.31, 33, 34). Essa palavra se aplica à Raabe (Jo 2.1; 6.17) e à mãe de Jefté (Jz 11.1), entre outras. Esse mesmo termo é usado para a nora de Judá (Gn 38.15), mas, logo adiante, ela é identificada como qedeshâ (Gn 38.21, 22). A Septuaginta traduziu zonah (Gn 38.15) e qedeshâ em Gênesis 38.21, 22, por porne, “prostituta, meretriz”, a mesma palavra usada para Raabe no Novo Testamento (Hb 11.31; Tg 2.25). A referência à rameira e ao sodomita é no sentido cultual; a raiz da palavra hebraica é a mesma, mas esses pagãos eram consagrados ou dedicados à imundícia, à prostituição cúltica e à idolatria, e não à santidade.
         A Septuaginta emprega os vocábulos hagiazo, “santificar”, hagiasmós, “santificação”, e hágios, “santo”, que são os termos mais usados no Novo Testamento com o mesmo sentido. A influência da Septuaginta nos escritores do Novo Testamento foi determinante, servindo de ponte linguística e teológica entre o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo. Os apóstolos encontraram nela uma fonte de conceitos e termos teológicos para expressar o conteúdo e o pensamento cristão.

A NECESSIDADE DE UMA VIDA SANTA
         Os deuses da mitologia greco-romana apresentavam os mesmos vícios e as mesmas características dos homens – ódio, inveja, ciúme, imperfeições – e além disso cometem prostituição, comem, bebem etc. Os deuses do paganismo antigo eram tão imorais quanto os seus adoradores. O caráter e a atividade das pessoas eram iguais aos dos deuses que eles serviam. Elas se comportavam como seus deuses sem temê-los. De modo, que é dedicado a eles, pois que praticam as mesmas coisas. Isso transmite a ideia de legitimidade às pessoas sobre as mesmas práticas dos deuses. Resumindo, as pessoas têm o direito de fazer tudo os que os deuses fazem. É exatamente isso o que se vê na sociedade greco-romana.
         Mas com o verdadeiro Deus revelado nas Escrituras as coisas são diferentes. O seu caráter é puro e santo por natureza, completamente isento de pecado, portanto, e todos os que pertencem a ele precisam igualmente de pureza e santidade: “Os deuses do paganismo antigo eram tão imorais quanto os seus adoradores” (Lv 19.2); “Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 20.7). Essa exortação não se restringe aos filhos de Israel, pois ela reaparece no Novo Testamento ensinando aos cristãos a necessidade de uma vida santa: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15, 16).
         Quando Deus introduz os dez mandamentos com as palavras “Eu sou o SENHOR, teu Deus” (Êx 20.2), está se referindo ao resgate dos israelitas da terra do Egito, à grande libertação das garras de Faraó. Esta redenção é o tema do livro de Êxodo. A “casa da servidão” é o símbolo da opressão social. Quem paga o preço do resgate tem o direito legal de posse. A santificação dos filhos de Israel era uma exigência porque eles pertencem a um Deus que é santo em Si mesmo e também porque Ele os resgatou.
         A Igreja é agraciada com a mesma bênção e herança de Israel.
Dentre todos os povos da terra, Deus separou os israelitas para serem nação santa: “E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Lv 20.26); “Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há” (Dt 7.6); “Porque és povo santo ao SENHOR, teu Deus, e o SENHOR te escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt 14.2). Esse chamado à santidade se fundamentava no fato de agora ter se tornado possessão de Deus, que é santo, e por isso os israelitas deviam estar separados de tudo aquilo que é profano ou comum, tudo o que contamina; Ele exige santidade do seu povo (Lv 11.44, 45).
         A Bíblia ensina que as bênçãos de Israel são equivalentes às da Igreja. Há certa correspondência entre o chamado de Israel e o da Igreja, pois os mesmos três privilégios de Israel – “propriedade peculiar”, “reino sacerdotal e povo santo” (Êx 19. 5, 6) – são também concedidos à Igreja: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). O compromisso de santidade dos israelitas é o mesmo dos cristãos, pois Israel foi resgatado do Egito, da casa da servidão, e nós fomos libertados do poder das trevas. É assim que pertencemos a Cristo e devemos viver em santidade.
         Há certa correspondência entre o padrão das antigas nações cananeias e também dos diversos povos pagãos da Antiguidade com a sociedade atual. O estilo de vida da Antiguidade e o de hoje mantêm os mesmos princípios, como o desprezo pelos valores cristãos. A idolatria é a manifestação pública da infidelidade a Deus, comparada ao adultério e a diversas formas de prostituição (Ap 2.20). O povo de Deus em todas as épocas precisa se afastar dessas coisas, e não somente isso, mas também combater essas práticas com a pregação do evangelho. Aí estava a diferença entre as nações cananeias e a nação de Israel (Lv 11.44) e entre os cristãos e o mundo (Rm 12.1, 2; Fp 2.15). E isso vale para os nossos dias.

MODOS DE SANTIFICAÇÃO
         A santificação apresenta três estágios ou aspectos na vida do cristão: começo, desenvolvimento e conclusão; passado, presente e futuro; instantânea, progressiva e completa. O pecador é santificado no ato de sua conversão a Cristo; ela é imediata e coloca o convertido na posição de filho de Deus (Hb 3.1) e de posicionalmente santo: “mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.11). Essa santificação é chamada de passada ou posicional e foi realizada por Cristo (Jo 17.17; Hb 10.10). É posicional por causa da mudança de pecador para santo ou santificado (At 26.18; 1 Co 1.2). Essa mudança moral coincide com a regeneração (Tt 3.5).
         É a santificação definitiva em que o pecador rompe de uma vez por todas o seu relacionamento com o pecado e assume um novo relacionamento com o Senhor Jesus (Rm 6.1, 2, 18; 1 Pe 2.24). É uma santificação que não se baseia no que fazemos ou no que devemos fazer, mas tem consequência na nossa vida; é uma ação do Deus trino (1 Pe 1.2).
         A santificação presente é progressiva, também conhecida como santificação real, (Pv 4.18) e continua em desenvolvimento (Hb 12.14). Apesar do seu caráter instantâneo, não significa que seja estagnada; ela se desenvolve na vida cristã: “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Co 3.18). Gradualmente o cristão vai se tornando cada vez mais semelhante a Cristo (Fp 3.13, 14; Cl 3.10). À medida que o crente em Jesus se afasta do pecado, mais ele se aproxima de Deus: “Deixemos todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.1, 2). A expectativa revelada no Novo Testamento é no sentido de que cada crente aumente a santificação durante o curso da vida.
         A santificação presente não é ainda completa e perfeita porque o cristão não está totalmente isento do pecado: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Jo 1.8). Por maior que seja o grau de santidade, ela nunca será plena enquanto estivermos neste corpo mortal (Rm 6.12, 13). Mas o terceiro estágio da santificação, a santificação futura e completa (1 Co 15.49; 2 Co 7.1; 1 Ts 5.23), será quando Senhor vier; Ele mesmo “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3.21). É a glorificação dos salvos (Rm 8.30), uma promessa de transformação futura de nosso corpo mortal (1 Co 15.43). 

Sobre este material:
Todo a obra aqui exposta foi extraído do livro cujas informações abaixo sem nenhuma adaptação. 

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